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Saídas de bola e pressões altas: os dilemas encontrados no jogo entre Vasco e Cruzeiro

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Atualizado há 13 horas

Este é um tema que foi debatido em uma das Masterclasses do PLANO BASIC do EOJhub. 

A saída de bola no futebol mundial sempre foi um tópico de muito estudo e debate, afinal, podemos perceber que existem diferente maneiras de atacar a partir deste momento e, em contrapartida, de encontrar diferentes maneiras de defende-las. Diante de pressões cada vez mais altas, perseguições intensas e encaixes individuais treinados, a forma como uma equipe inicia a construção decide em diversas ocasiões, como ela vai terminar o ataque. Ter um modelo e um padrão de saída bem construído e desenhado, pode gerar aspectos diferenciais ofensivamente e defensivamente.

Numa análise mais aprofundada da partida entre Vasco e Cruzeiro pelo Brasileirão, podemos observar várias características que incidem sobre esse tema. Pelo lado carioca, o Vasco variou a forma que gerava vantagem no campo, deixando em dúvida o lado mineiro, que tentava fazer ajustes para realizar uma boa pressão no campo adversário. 

Na saída, o Vasco se organizou em uma estrutura de losango com o goleiro dando sustentação à base: zagueiros abertos buscando amplitude, volante na linha da grande área, uma linha de quatro com laterais abertos, mas ainda numa altura média do campo e um trio de ataque à frente fechado. O Cruzeiro se defendeu no 4-3-3, povoando bastante o meio do campo priorizando a defesa por dentro. Com esse cenário, os cariocas tinham duas zonas de superioridade numérica (no primeiro e no segundo terço do campo), com os mineiros concentrando sua única superioridade numérica na última linha defensiva (4×3). Em um primeiro momento, o encaixe defensivo funcionou, fazendo com que o Cruzeiro conseguisse conter a progressão do ataque. Já o Vasco encontrou dificuldade para utilizar seus homens livres, que estavam do lado oposto ao da saída de bola.

Imagem 1 – A estrutura da saída do Vasco: losango com o goleiro, zagueiros bem abertos e volante sobre a linha da área, contra a marcação em 4-3-3 do Cruzeiro.

Como foi mencionado anteriormente, a saída de bola é um aspecto dinâmico e flexível. Os cruzmaltinos ajustaram o posicionamento de Paulo Henrique, que passou a dar mais profundidade pela lateral, jogando praticamente uma “linha” acima do lateral oposto. Os zagueiros vascaínos tinham mais campo para condução e o volante mais espaço para receber a bola em progressão ou receber em vantagem.

Imagem 2 – O ponto de desequilíbrio: a altura do lateral do Vasco e o espaço aberto para a condução do zagueiro.

Isso gerou uma abertura de espaço considerável na defesa do Cruzeiro, porque os laterais não se desgrudavam do último bloco e os médios que acabavam encarregados de fazer o ajuste defensivo. O problema defensivo é que a distância a ser percorrida agora era muito grande, diferente da situação anterior em que o lateral do Vasco estava na mesma linha, possibilitando o balanço defensivo por dentro e por fora. Então, o médio defensivo do lado do lateral que estava alto (neste caso o lado direito de ataque do Vasco), acabou tendo que seguir a altura deste lateral e se distanciou do médio vascaíno, que se tornou o homem livre.

Imagem 3 – Desencaixe defensivo do Cruzeiro devido a mudança no posicionamento do lateral vascaíno

No segundo instante defensivo, mexendo as peças do quebra-cabeça, o Cruzeiro começou a adiantar seus laterais, saltando linhas promovendo o encaixe defensivo. Percebendo essa movimentação, os cariocas realizaram um novo ajuste na saída de bola, os dois laterais altos e o ponta passa a jogar por dentro, gerando um novo desencaixe e uma nova vantagem no setor médio. Tínhamos literalmente uma sucessão de compensações e adaptações defensivas e ofensivas, vários jogos dentro do próprio jogo. O Cruzeiro tentava fechar o desencaixe anterior enquanto o Vasco já gerava um novo. Nas imagens abaixo, podemos perceber que o ajuste citado na imagem 3 foram corrigidos pelo salto do lateral da equipe mineira, mas a equipe de Pedro Emanuel utilizou o ponta para gerar um novo 2×1 contra o médio, que não era mais com o lateral + médio, mas sim do ponta + médio.

Imagens 4 e 5 – A sequência que quebrou a pressão: lateral alto, saída pelo zagueiro canhoto e a vantagem gerada no lado em que o lateral subiu.

Percebendo que o Vasco tinha sucesso no seu modelo de saída, os mineiros modificaram o seu modo de defender.  A ideia agora era tirar um homem da primeira pressão para preencher o meio, impedindo as progressões por dentro e fazendo com que os dois homens da linha ofensiva ficassem encarregados de fechar corretamente as linhas de passe, fazendo uma corrida de dentro para fora. Isso modifica os espaços e exige do ataque uma nova adaptação.

Imagem 6 – A leitura defensiva que fechou a saída: linha de passe tapada e a progressão por dentro neutralizada.

O duelo entre Vasco e Cruzeiro mostrou que a saída de bola não é um manual fechado. Cada equipe precisa encontrar o modelo que faz sentido para as suas peças. Pelo lado ofensivo, o objetivo é criar desencaixes, dar amplitude ou profundidade e progredir. Pelo lado defensivo, entender quais saltos e compensações são necessários para uma defesa firme e organizada. É o contraste que faz do futebol um dos jogos mais dinâmicos do mundo.

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